O PAÍS ONDE O TEMPO PAROU: PERU

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Mapa de Machu Picchu

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Machu Picchu

Local histórico no Peru

Machu Picchu, também chamada “cidade perdida dos Incas”, é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Peru. Wikipédia

Endereço: Peru

Elevação: 2.430 m

Área: 13 km²

Administração: Government of Peru

Telefone: +51 84 582030

 

Vale Sagrado dos Incas

Vale Sagrado dos Incas

Huayna Picchu

Huayna Picchu

Inca Trail to Machu Picchu

Inca Trail to Machu Picchu

Sacsayhuaman

Sacsayhuaman

Coricancha

Coricancha

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QUE O MUNDO SAIBA: O BRASIL VIVE UM CENÁRIO DE GUERRA. PASSAR O CARNAVAL NO BRASIL COM ESSE CLIMA É PENA DE MORTE NA CERTA – Diretor da OAB e família são executados a tiros dentro de casa em São Gonçalo

O advogado Wagner com a filha Geovanna e a mulher Soraya

O advogado Wagner com a filha Geovanna e a mulher Soraya Foto: Reprodução / Facebook

Wilson Mendes

Uma família inteira foi executada dentro de casa durante a madrugada desta sexta-feira, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. De acordo com a Polícia Militar, Soraya Gonçalves de Resende, de 37 anos, o marido dela, o advogado Wagner da Silva Salgado, de 42, e a filha do casal, Geovanna Resende Salgado, de 10, foram mortos a tiros por volta da 5h. Wagner era diretor de eventos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Gonçalo.

— Ele trabalhava há um ano como diretor de eventos da OAB São Gonçalo. Ele era advogado cível, nunca quis entrar em criminal. Não era o que ele gostava de fazer. A gente não tem nem pista do que pode ter acontecido aqui. Ele era filho único, então também não acreditamos que seja alguma coisa envolvendo parentes — disse o presidente da OAB São Gonçalo, Eliano Enzo.

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/diretor-da-oab-familia-sao-executados-tiros-dentro-de-casa-em-sao-goncalo-20941666.html#ixzz4YxRhiea1

ESTAMOS TODOS DESMORALIZADOS: O PAÍS DA BANDIDAGEM E DA INSEGURANÇA AGORA TEM NOME, BRASIL!

Bandidos atiram contra helicóptero da PRF e matam segurança na Baixada Fluminense

Motorista se esconde durante tiroteioMotorista se esconde durante tiroteio Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Cintia Cruz

Cerca de 15 criminosos armados com fuzis atiraram contra um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na manhã desta sexta-feira, enquanto roubavam o carregamento de cigarros de um caminhão no Arco Metropolitano, na altura da Favela do Guandu, em Japeri, na Baixada Fluminense. Um segurança que fazia a escolta do veículo foi morto pelos bandidos, que fugiram com o material, avaliado em R$ 1,5 milhão.

Por volta das 9h, os criminosos, a bordo de um automóvel Toyota Corolla e de um Volkswagen Jetta, abordaram o motorista da carreta, anunciando o assalto. Eles levaram o veículo para a entrada da comunidade e o saquearam. O segurança, que fazia a escolta da carga num Ford Ka, tentou impedir, mas foi morto com um tiro no rosto. O nome da vítima não foi divulgado.

Pessoas se escondem de tiros sob carreta no Arco MetropolitanoPessoas se escondem de tiros sob carreta no Arco Metropolitano Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Agentes do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) foram acionados e cercaram os ladrões. Os bandidos, então, atiraram contra as viaturas, dando início a um intenso confronto. Motoristas deixaram seus carros para se proteger. De acordo com a PRF, em meio ao tiroteio, os criminosos, escondidos numa área de mata próxima à estrada, dispararam também na direção da aeronave da corporação, que dava apoio aos agentes.

Os bandidos fugiram com a carga, avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão. Homens do 15º BPM (Caxias), do 24º BPM (Queimados), do 39º BPM (Belford Roxo) e do BPRV, apoiados pelo helicóptero da PRF e um outro do Grupamento Aeromóvel, tentam localizar o bando recuperar o material levado. A pista ficou fechada por cerca de três horas.

Carro usado por vigia, que morreu com tiro no rostoCarro usado por vigia, que morreu com tiro no rosto Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/bandidos-atiram-contra-helicoptero-da-prf-matam-seguranca-na-baixada-fluminense-20942474.html#ixzz4YxQNXDmQ

O JUIZ FEDERAL DR. SÉRGIO MORO APERTOU O CERCO DURANTE O DEPOIMENTO DE SÉRGIO GABRIELLI EM AÇÃO DA LAVA JATO. O PROCESSO TEM HAVER COM O CASO DO “TRÍPLEX DO GUARUJÁ”– LITORAL PAULISTA. As perguntas de Moro vão direto ao ponto, e as respostas não são convicentes…

Fato ocorreu durante depoimento de Sérgio Gabrielli em ação da Lava Jato – Processo envolve o caso do tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Alana Fonseca, Aline Pavaneli e Thais KaniakDo G1 PR

 

O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli foi ouvido como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta segunda-feira (13), na ação penal da Lava Jato que envolve o caso do tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Durante o depoimento de Gabrielli, a defesa de Lula interrompeu um questionamento do juiz Sérgio Moro e disse que o magistrado fazia “perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz”.
Além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outras seis pessoas também são rés na mesmo processo. A esposa de Lula, Marisa Letícia, que morreu em 3 de fevereiro, também era ré nesta ação penal. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), R$ 3,7 milhões foram pagos a Lula como propina a partir de três contratos com a OAS.

 

A audiência começou às 9h30 e foi realizada por videoconferência de Salvador (BA), com a Justiça Federal do Paraná, em Curitiba.
A discussão ocorreu quando Moro perguntou a Gabrielli qual foi o motivo da substituição de Nestor Cerveró por Jorge Zelada na diretoria internacional da Petrobras, em 2008 – os dois já foram condenados na Lava Jato.
O ex-presidente da estatal disse que foi uma decisão do Conselho Administrativo, a partir de uma solicitação de representantes do governo, mas que uma reestruturação da diretoria já estava sendo pensada pela companhia. Gabrielli afirmou ainda que, no conselho, não se discute a questão partidária e que ficou sabendo da indicação do PMDB por meio da imprensa.
O juiz perguntou, então, se Gabrielli não havia indagado sobre o motivo da mudança da diretoria. Neste momento, a defesa interrompeu o juiz e disse que há limites para as perguntas. Moro afirmou que estava fazendo as perguntas e não induzindo a testemunha. A defesa do ex-presidente, então, disse que as perguntas de Moro são “perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz”.
Na audiência, em Curitiba, estavam presentes três advogados da defesa de Lula: Cristiano Zanin Martins, Juarez Cirino dos Santos e June Cirino dos Santos.
Também estavam presentes os advogados do ex-presidente da Construtora OAS, André Szesz e Flávia Penna Guedes Pereira; os advogados do presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, Anderson Bezerra Lopes e Vinicius Ferrari de Andrade; o advogado de Sylas Kok Ribeiro, representando Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS.
Em Salvador, participaram a advogada de Fábio Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos, Carolina Fonti e o advogado de Luiz Henrique de Castro Marques Filho, representando o réu Paulo Roberto Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS.
Em meio à discussão, outras advogados questionaram as perguntas do juiz federal durante a oitiva de Gabrielli.

Veja o trecho completo do diálogo:
Defesa: Há um limite excelência.
Sérgio Moro: Eu estou fazendo as perguntas.
Defesa: Vossa excelência está insistindo.
Sérgio Moro: Eu estou fazendo as perguntas, doutor. Não estou induzindo a testemunha.
Defesa: É a quinta pergunta. Ele já respondeu.
Sérgio Moro: Eu ouvi pacientemente as perguntas da defesa e do Ministério Público, eu estou fazendo as minhas perguntas. Certo?
Defesa de Lula: Mas as suas perguntas são as perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz.
Sérgio Moro: Doutor, respeite o Juízo.
Defesa: Vossa excelência respeite então a ordem processual.
Sérgio Moro: respeite o juízo.
O advogado Cristiano Zanin Martins disse que a defesa fez o seu papel alertando o juiz que ele não poderia insistir em uma pergunta já respondida, “como se buscasse um novo posicionamento”.
“Em todas as audiências o juiz fez perguntas às testemunhas e todas elas, sem exceção, buscavam favorecer a acusação, jamais a defesa”, diz a nota enviada pelo advogado.

Ainda de acordo com a nota, a defesa “arguiu a suspeição do juiz indicando dez fatos concretos que mostram que ele perdeu a imparcialidade para julgar o ex-presidente Lula, de modo que sua atuação se confunde com a dos acusadores”.
O juiz federal Sérgio Moro não vai se pronunciar.
O advogado Anderson Bezerra Lopes, que estava na audiência representando o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, disse que a lei processual estabelece que o juiz deve questionar uma testemunha apenas para esclarecer algum ponto que não tenha ficado claro, depois das perguntas da acusação e da defesa. “O que se vê nas audiências é o juiz Sérgio Moro assumir claramente o papel da acusação, reiterando perguntas de cunho acusador e investigatório”, declarou o advogado por meio de nota.

Depoimento de Gabrielli
O ex-presidente da estatal também foi questionado sobre a construção da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, e respondeu que a obra foi realizada a partir de decisões técnicas e econômicas.
Gabrielli relatou que nunca teve conversas sobre recursos escusos com o Lula, que as conversas que teve com o ex-presidente foram “sempre no plano da importância da Petrobras para o Brasil”. Ainda conforme ele, esses diálogos eram, sempre, no sentido de “ter a melhor gestão possível para alcançar os objetivos definidos”.

O ex-presidente da estatal disse que nunca ouviu de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras – já condenado na Lava Jato e o primeiro a fechar acordo de delação premiada no âmbito da operação – sobre nenhum tipo de anuência ou concordância de Lula com relação a desvio de valores. “Não demonstrava nenhum comportamento que ele veio a confessar. Era uma pessoa pacata, cumpridora de seus deveres e não demonstrava nenhum comportamento ilícito, como veio a confessar”, disse Gabrielli sobre o delator.

Sobre Nestor Cerveró, Gabrielli disse praticamente o mesmo: que ele cumpriu as estratégias de expandir as atividades para o exterior, que não demonstrava nenhum comportamento anormal como veio a confessar depois. “Acho que ele dificilmente teria acesso ao Lula. Nunca mencionou nenhum contato com Lula”, disse o ex-presidente da Petrobras.

Sobre Pedro Barusco, ex-gerente da estatal também condenado no âmbito da Lava Jato, as palavras foram as mesmas.

Em relação aos contratos da Petrobras e a OAS, Gabrielli disse que nunca foi discutido elevação de custos por causa de corrupção, para pagamentos inadequados, ilícitos. Segundo ele, a discussão “era voltada para tentar minimizar os impactos de um mercado de fornecedores aquecidos, com maior poder de barganha para os fornecedores, em comparação aos compradores”.

Sobre valores provenientes de contratos usados para a compra do tríplex supostamente para Lula, o ex-presidente da Petrobras afirmou que não tem nenhum conhecimento sobre o assunto.

Questionado pelo Ministério Público Federal (MPF), Gabrielli disse que há influência política na escolha de diretores desde 1953, ou seja, desde a fundação da empresa. Questionado também se fazia parte de algum partido, o ex-presidente da Petrobras disse que sim e que, inclusive, é “membro fundador do Partido dos Trabalhadores, desde 1981 e 1982”. Ele também afirmou que foi indicado para a direção financeira (antes da presidência) e para a presidência por Lula. Por fim, reforçou que nenhum dos órgãos de fiscalização identificou problemas revelados pela Lava Jato.

Jaques Wagner
O ex-ministro de relações institucionais do Governo Lula, Jaques Wagner (PT), também foi ouvido como testemunha de defesa do ex-presidente na manhã desta segunda, no mesmo processo. Durante o depoimento, Wagner detalhou sua atuação como ministro e afirmou desconhecer uso de dinheiro de origem espúria para manutenção da base parlamentar.
O ex-ministro também falou por videoconferência de Salvador. Wagner disse que era procurado por parlamentares – senadores e deputados federais – governadores e prefeitos que apresentavam demandas de suas bases eleitorais. Informou que o alinhamento com o governo é normal, pois facilita o atendimento de pedidos. “Ida e vinda de parlamentares [para a base aliada do partido que está no poder] é absolutamente natural”, declarou.
Questionado pelo MPF sobre sua relação com o ex-presidente Lula, Wagner relatou que estabelecia seu espaço e tinha autonomia para sua atuação. O ex-ministro disse que Lula participava de reuniões com a base aliada sempre que assuntos relevantes estavam em discussão.
Wagner afirmou ter feito parte do Conselho Administrativo da Petrobras, entre 2003 e 2006, mas disse que nunca participou diretamente da indicação de cargos na estatal.
Outras testemunhas
Na mesma audiência, foram ouvidas duas testemunhas de defesa
do ex-presidente da OAS Investimentos Fabio Yonamine, réu nesta ação penal por lavagem de dinheiro. A audiência também foi realizada por videoconferência de Salvador.
O primeiro a ser ouvido foi o administrador de empresas Daniel Cardoso Gonzalez. Ao ser questionado pela defesa de Fabio Yonamine se ouviu que um tríplex e a reforma dele seriam destinados ao Lula, como troca de favores, Gonzalez disse que não. “Nunca presenciei nada do tipo”, afirmou a testemunha, que trabalhou na OAS Empreendimentos. A empresa tinha estruturas administrativa e financeira apartadas da empreiteira OAS, conforme explicou.
A testemunha também disse que a entrega do imóvel foi feita depois da saída dele da empresa. Ele trabalhou cinco anos da OAS Empreendimentos, de 2007 a 2012, atuando na área financeira, de acordo com o que relatou durante a audiência.
A outra testemunha de defesa de Yonamine foi o advogado Adriano Cláudio Pires Ribeiro, que trabalhou na área jurídica da OAS Empreendimentos de março de 2007 até dezembro de 2013.
Adriano Cláudio Pires Ribeiro também negou saber que um tríplex do Edifício Solaris seria entregue a Lula por troca de favores ou vantagens indevidas obtidas pela OAS.  Sobre a reforma do tríplex, ele disse ter tido conhecimento somente por meio da imprensa, depois de já ter saído da empresa.

Ribeiro também explicou a Moro que, quando o proprietário de cotas da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) optava por aderir ao acordo para que a OAS assumisse a obra de determinado empreendimento, um contrato de compromisso de compra e venda era assinado. De acordo com a testemunha, o documento padrão constava o valor e a unidade destinada ao comprador.
Depoimentos da tarde
Nesta tarde, uma audiência ocorreu por videoconferência com Barueri (SP). A engenheira civil Aline Mascarenhas de Sousa foi ouvida como testemunha de defesa do arquiteto e ex-executivo da OAS Paulo Gordilho, que responde neste processo por lavagem de dinheiro.
Aline Mascarenhas de Sousa relatou que trabalhou na OAS Empreendimentos de julho de 2009 a junho de 2015, nos setores de controle de obras e de orçamentos.
Ela disse não ter trabalhado com orçamentos relacionados ao Condomínio Solaris. “Eu primeiramente trabalhava na parte de controle de obras, então quando eu fui para o setor de orçamentos, esse orçamento já existia”, afirmou ao MPF.
O coordenador de planejamento da OAS Empreendimentos Genésio da Silva Paraíso foi ouvido como testemunha de defesa de Roberto Ferreira, ex-diretor da empresa acusado pelo crime de lavagem de dinheiro na ação. A testemunha relatou que foi responsável pela elaboração do contrato e acompanhamento das reformas de um apartamento no Edifício Solaris para tornar o imóvel mais atrativo para um potencial comprador que, segundo ele, seria o ex-presidente Lula.
Genésio relatou que em relação ao apartamento do Solaris, recebia ordens de seu superior imediato, que era o gerente Igor Pontes, e que nunca recebeu nenhum tipo de orientação direta ou indiretamente de Lula e da mulher dele, Marisa Letícia.
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2017/02/perguntas-de-um-inquisidor-diz-defesa-de-lula-para-juiz-sergio-moro.html

EDUARDO CUNHA: na prisão tenta comandar ainda a sua rede de influência.

Moro parte para o ataque e dá nó no Supremo

A decisão de manter Eduardo Cunha preso deve ter consequências significativas para o futuro do governo Temer, da Câmara e da própria Lava Jato

O Juiz federal Sérgio Moro (Foto: Paulo Lopes/Futura Press/Folhapress)O juiz federal Sergio Moro (Foto: Paulo Lopes/Futura Press/Folhapress)

O juiz Sergio Moro acaba de emparedar, silenciosamente, aqueles em Brasília que fazem de tudo para soltar Eduardo Cunha. Moro não negou somente o habeas corpus impetrado pelos advogados de Cunha. Juridicamente, essa decisão era esperada. O juiz foi além. Aproveitou a decisão, a mais relevante que tomou nos últimos meses, para fazer a defesa mais enfática, desde o começo da Lava Jato, sobre a necessidade das prisões preventivas. E defendeu o uso das prisões preventivas invocando, especialmente, as decisões de Teori Zavascki que mantiveram Cunha na cadeia.

O nó estratégico de Moro atinge diretamente os ministros do Supremo, que deverão julgar na próxima semana se soltam ou não Cunha. O nó: para revogar a prisão de Cunha, os ministros agora terão de, além de mudar o entendimento do Tribunal para o assunto, ir contra decisões de Teori exatamente contra o peemedebista. Nesse cenário, votarão, perante a opinião pública, contra um ministro cuja morte comoveu o país e em favor de um político odiado por boa parte dela.

Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato (Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press / Agência O Globo)

Os argumentos de Moro:

• No caso de Cunha: nada mudou, e os fatos que embasaram a preventiva (garantir a ordem

pública, sobretudo) não só permanecem como foram reforçados pela atuação belicosa do ex-

O ex-presidente da Câmara e deputado cassado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na operação Lava Jato (Foto:   Paulo Lisboa/Brazil Photo Press / Agência O Globo)

deputado no processo. Moro relembra que a segunda instância manteve a prisão de Cunha, no que foi seguida pelo ministro Félix Fischer, do STJ, e, no STF, por Teori – duas vezes. A frase que enquadrou o STF: “O eminente ministro Teori Zavascki teve não uma, mas duas oportunidades para cassar a prisão preventiva decretada por este juízo, e não o fez”. Moro disse ainda que “não trairá o legado” de Teori. Donde, quem revogar a prisão fará exatamente isto: trair o legado de Teori.

• Nos demais casos rumorosos da Lava Jato, como o de Paulo Roberto Costa e o de Marcelo Odebrecht: foram as preventivas que encerraram as “carreiras criminais” dos investigados – sempre sob a égide de garantir a ordem pública, entre outros fundamentos. Ou seja, sem preventivas, não haveria Lava Jato.

O trecho mais importante do despacho: “Em todos esses casos, o desmantelamento da atividade criminal e a interrupção do ciclo delitivo, protegendo outros indívidos, a sociedade brasileira e os cofres públicos de novos crimes, só foi possível com a prisão preventiva e que teve suporte de todas as instâncias do Poder Judiciário brasileiro. Assim não fosse, é provável que ainda estaria Paulo Roberto Costa recebendo propina e na posse de seus ativos no exterior, quiçá deslocados para outro país, Alberto Youssef ainda estaria lavando dinheiro de propina em contratos públicos e a entregando a agentes políticos, e o Clube das Empreiteiras e o Departamento da Propina ainda estariam em plena atividade” .

Os números que interessam:

• Há  sete presos provisórios sem julgamento na Lava Jato.
• Foram 79 prisões preventivas nos três anos de Operação. Um número baixo, em comparação com o trabalho cotidiano das varas criminais. E infinitamente distante das cerca de 800 prisões da Operação Mãos Limpas, na Itália.

O que está por trás das críticas às prisões preventivas, segundo Moro, é o “lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei”. Moro: “A questão real – e é necessário ser franco sobre isso – não é a quantidade, mas a qualidade das prisões, mas propriamente a qualidade dos presos provisórios. O problema não são as setenta e nove prisões ou os atualmente sete presos sem julgamento, mas sim que se tratam de presos ilustres, por exemplo, um dirigente de empreiteira, um ex-ministro da Fazenda, um ex-governador de estado, e, no presente caso, um ex-presidente da Câmara dos Deputados”. O juiz leva o raciocínio à etapa seguinte. “As críticas às prisões preventivas refletem, no fundo, o lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei e que ainda vivemos em uma sociedade de castas, distante de nós a igualdade republicana”, disse.

A reação de Moro ao que percebeu serem ameaças de Cunha: além de manter a prisão do ex-deputado, comprometeu-se a redobrar o empenho. Foi explícito e claro. “Revogar a preventiva de Eduardo Cosentino da Cunha poderia ser interpretada erroneamente como representando a capitulação deste Juízo a alguma espécie de pressão política a qual teria sofrido em decorrência do referido episódio”. Quem tentou falar grosso com Moro até agora, como Marcelo Odebrecht e Lula, deu-se mal. Cunha, ao que tudo indica, apostou na estratégia errada.

O jeito Moro de dar um xeque até no presidente Michel Temer: o juiz relembrou o caso das perguntas que Cunha queria fazer a Temer durante o processo –  e que haviam sido vetadas por Moro. Eram, e qualquer um via isso, um recado ameaçador de Cunha ao presidente. O próprio juiz observou agora que “tais quesitos (perguntas), absolutamente estranhos ao objeto da ação penal, tinham por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso”. O subtexto é claro: Moro usou as armas de Cunha contra Temer para alertar o presidente de que Curitiba está atenta à possível articulação, em Brasília, para livrar o ex-deputado. O juiz escreveu textualmente que Cunha tentou intimidar o presidente da República. Citar esse episódio pode parecer uma defesa do presidente. É, na verdade, uma defesa da Lava Jato.

O que está em jogo:

• A estabilidade do governo Temer. Quanto mais tempo Cunha ficar preso, maior a chance de insistir numa delação premiada. Uma delação dele, combinada à do operador Lúcio Funaro, parceiro de Cunha, teria potencial para fulminar o primeiro escalão do governo.
• A estabilidade da Câmara. A delação de Cunha, a depender da extensão, também atingiria deputados influentes.
• A estabilidade da Lava Jato. Se o Supremo ignorar o nó de Moro e reverter o entendimento sobre as prisões preventivas, estejam os ministros certos ou errados, a operação será manietada.

A contagem regressiva: Moro sentenciará Cunha até o fim de março. Caso o ex-deputado não seja solto pelo STF e acabe condenado em Curitiba, não restará a ele outra opção. É delação – ou cadeia por muitos, muitos anos, talvez para a família dele também. leia tudo: http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/02/moro-parte-para-o-ataque-e-da-no-no-supremo.html