O PAÍS ONDE O TEMPO PAROU: PERU

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Mapa de Machu Picchu

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Machu Picchu

Local histórico no Peru

Machu Picchu, também chamada “cidade perdida dos Incas”, é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Peru. Wikipédia

Endereço: Peru

Elevação: 2.430 m

Área: 13 km²

Administração: Government of Peru

Telefone: +51 84 582030

 

Vale Sagrado dos Incas

Vale Sagrado dos Incas

Huayna Picchu

Huayna Picchu

Inca Trail to Machu Picchu

Inca Trail to Machu Picchu

Sacsayhuaman

Sacsayhuaman

Coricancha

Coricancha

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QUE O MUNDO SAIBA: O BRASIL VIVE UM CENÁRIO DE GUERRA. PASSAR O CARNAVAL NO BRASIL COM ESSE CLIMA É PENA DE MORTE NA CERTA – Diretor da OAB e família são executados a tiros dentro de casa em São Gonçalo

O advogado Wagner com a filha Geovanna e a mulher Soraya

O advogado Wagner com a filha Geovanna e a mulher Soraya Foto: Reprodução / Facebook

Wilson Mendes

Uma família inteira foi executada dentro de casa durante a madrugada desta sexta-feira, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. De acordo com a Polícia Militar, Soraya Gonçalves de Resende, de 37 anos, o marido dela, o advogado Wagner da Silva Salgado, de 42, e a filha do casal, Geovanna Resende Salgado, de 10, foram mortos a tiros por volta da 5h. Wagner era diretor de eventos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Gonçalo.

— Ele trabalhava há um ano como diretor de eventos da OAB São Gonçalo. Ele era advogado cível, nunca quis entrar em criminal. Não era o que ele gostava de fazer. A gente não tem nem pista do que pode ter acontecido aqui. Ele era filho único, então também não acreditamos que seja alguma coisa envolvendo parentes — disse o presidente da OAB São Gonçalo, Eliano Enzo.

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/diretor-da-oab-familia-sao-executados-tiros-dentro-de-casa-em-sao-goncalo-20941666.html#ixzz4YxRhiea1

ESTAMOS TODOS DESMORALIZADOS: O PAÍS DA BANDIDAGEM E DA INSEGURANÇA AGORA TEM NOME, BRASIL!

Bandidos atiram contra helicóptero da PRF e matam segurança na Baixada Fluminense

Motorista se esconde durante tiroteioMotorista se esconde durante tiroteio Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Cintia Cruz

Cerca de 15 criminosos armados com fuzis atiraram contra um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na manhã desta sexta-feira, enquanto roubavam o carregamento de cigarros de um caminhão no Arco Metropolitano, na altura da Favela do Guandu, em Japeri, na Baixada Fluminense. Um segurança que fazia a escolta do veículo foi morto pelos bandidos, que fugiram com o material, avaliado em R$ 1,5 milhão.

Por volta das 9h, os criminosos, a bordo de um automóvel Toyota Corolla e de um Volkswagen Jetta, abordaram o motorista da carreta, anunciando o assalto. Eles levaram o veículo para a entrada da comunidade e o saquearam. O segurança, que fazia a escolta da carga num Ford Ka, tentou impedir, mas foi morto com um tiro no rosto. O nome da vítima não foi divulgado.

Pessoas se escondem de tiros sob carreta no Arco MetropolitanoPessoas se escondem de tiros sob carreta no Arco Metropolitano Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Agentes do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) foram acionados e cercaram os ladrões. Os bandidos, então, atiraram contra as viaturas, dando início a um intenso confronto. Motoristas deixaram seus carros para se proteger. De acordo com a PRF, em meio ao tiroteio, os criminosos, escondidos numa área de mata próxima à estrada, dispararam também na direção da aeronave da corporação, que dava apoio aos agentes.

Os bandidos fugiram com a carga, avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão. Homens do 15º BPM (Caxias), do 24º BPM (Queimados), do 39º BPM (Belford Roxo) e do BPRV, apoiados pelo helicóptero da PRF e um outro do Grupamento Aeromóvel, tentam localizar o bando recuperar o material levado. A pista ficou fechada por cerca de três horas.

Carro usado por vigia, que morreu com tiro no rostoCarro usado por vigia, que morreu com tiro no rosto Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/bandidos-atiram-contra-helicoptero-da-prf-matam-seguranca-na-baixada-fluminense-20942474.html#ixzz4YxQNXDmQ

O JUIZ FEDERAL DR. SÉRGIO MORO APERTOU O CERCO DURANTE O DEPOIMENTO DE SÉRGIO GABRIELLI EM AÇÃO DA LAVA JATO. O PROCESSO TEM HAVER COM O CASO DO “TRÍPLEX DO GUARUJÁ”– LITORAL PAULISTA. As perguntas de Moro vão direto ao ponto, e as respostas não são convicentes…

Fato ocorreu durante depoimento de Sérgio Gabrielli em ação da Lava Jato – Processo envolve o caso do tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Alana Fonseca, Aline Pavaneli e Thais KaniakDo G1 PR

 

O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli foi ouvido como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta segunda-feira (13), na ação penal da Lava Jato que envolve o caso do tríplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Durante o depoimento de Gabrielli, a defesa de Lula interrompeu um questionamento do juiz Sérgio Moro e disse que o magistrado fazia “perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz”.
Além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outras seis pessoas também são rés na mesmo processo. A esposa de Lula, Marisa Letícia, que morreu em 3 de fevereiro, também era ré nesta ação penal. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), R$ 3,7 milhões foram pagos a Lula como propina a partir de três contratos com a OAS.

 

A audiência começou às 9h30 e foi realizada por videoconferência de Salvador (BA), com a Justiça Federal do Paraná, em Curitiba.
A discussão ocorreu quando Moro perguntou a Gabrielli qual foi o motivo da substituição de Nestor Cerveró por Jorge Zelada na diretoria internacional da Petrobras, em 2008 – os dois já foram condenados na Lava Jato.
O ex-presidente da estatal disse que foi uma decisão do Conselho Administrativo, a partir de uma solicitação de representantes do governo, mas que uma reestruturação da diretoria já estava sendo pensada pela companhia. Gabrielli afirmou ainda que, no conselho, não se discute a questão partidária e que ficou sabendo da indicação do PMDB por meio da imprensa.
O juiz perguntou, então, se Gabrielli não havia indagado sobre o motivo da mudança da diretoria. Neste momento, a defesa interrompeu o juiz e disse que há limites para as perguntas. Moro afirmou que estava fazendo as perguntas e não induzindo a testemunha. A defesa do ex-presidente, então, disse que as perguntas de Moro são “perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz”.
Na audiência, em Curitiba, estavam presentes três advogados da defesa de Lula: Cristiano Zanin Martins, Juarez Cirino dos Santos e June Cirino dos Santos.
Também estavam presentes os advogados do ex-presidente da Construtora OAS, André Szesz e Flávia Penna Guedes Pereira; os advogados do presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, Anderson Bezerra Lopes e Vinicius Ferrari de Andrade; o advogado de Sylas Kok Ribeiro, representando Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS.
Em Salvador, participaram a advogada de Fábio Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos, Carolina Fonti e o advogado de Luiz Henrique de Castro Marques Filho, representando o réu Paulo Roberto Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS.
Em meio à discussão, outras advogados questionaram as perguntas do juiz federal durante a oitiva de Gabrielli.

Veja o trecho completo do diálogo:
Defesa: Há um limite excelência.
Sérgio Moro: Eu estou fazendo as perguntas.
Defesa: Vossa excelência está insistindo.
Sérgio Moro: Eu estou fazendo as perguntas, doutor. Não estou induzindo a testemunha.
Defesa: É a quinta pergunta. Ele já respondeu.
Sérgio Moro: Eu ouvi pacientemente as perguntas da defesa e do Ministério Público, eu estou fazendo as minhas perguntas. Certo?
Defesa de Lula: Mas as suas perguntas são as perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz.
Sérgio Moro: Doutor, respeite o Juízo.
Defesa: Vossa excelência respeite então a ordem processual.
Sérgio Moro: respeite o juízo.
O advogado Cristiano Zanin Martins disse que a defesa fez o seu papel alertando o juiz que ele não poderia insistir em uma pergunta já respondida, “como se buscasse um novo posicionamento”.
“Em todas as audiências o juiz fez perguntas às testemunhas e todas elas, sem exceção, buscavam favorecer a acusação, jamais a defesa”, diz a nota enviada pelo advogado.

Ainda de acordo com a nota, a defesa “arguiu a suspeição do juiz indicando dez fatos concretos que mostram que ele perdeu a imparcialidade para julgar o ex-presidente Lula, de modo que sua atuação se confunde com a dos acusadores”.
O juiz federal Sérgio Moro não vai se pronunciar.
O advogado Anderson Bezerra Lopes, que estava na audiência representando o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, disse que a lei processual estabelece que o juiz deve questionar uma testemunha apenas para esclarecer algum ponto que não tenha ficado claro, depois das perguntas da acusação e da defesa. “O que se vê nas audiências é o juiz Sérgio Moro assumir claramente o papel da acusação, reiterando perguntas de cunho acusador e investigatório”, declarou o advogado por meio de nota.

Depoimento de Gabrielli
O ex-presidente da estatal também foi questionado sobre a construção da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, e respondeu que a obra foi realizada a partir de decisões técnicas e econômicas.
Gabrielli relatou que nunca teve conversas sobre recursos escusos com o Lula, que as conversas que teve com o ex-presidente foram “sempre no plano da importância da Petrobras para o Brasil”. Ainda conforme ele, esses diálogos eram, sempre, no sentido de “ter a melhor gestão possível para alcançar os objetivos definidos”.

O ex-presidente da estatal disse que nunca ouviu de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras – já condenado na Lava Jato e o primeiro a fechar acordo de delação premiada no âmbito da operação – sobre nenhum tipo de anuência ou concordância de Lula com relação a desvio de valores. “Não demonstrava nenhum comportamento que ele veio a confessar. Era uma pessoa pacata, cumpridora de seus deveres e não demonstrava nenhum comportamento ilícito, como veio a confessar”, disse Gabrielli sobre o delator.

Sobre Nestor Cerveró, Gabrielli disse praticamente o mesmo: que ele cumpriu as estratégias de expandir as atividades para o exterior, que não demonstrava nenhum comportamento anormal como veio a confessar depois. “Acho que ele dificilmente teria acesso ao Lula. Nunca mencionou nenhum contato com Lula”, disse o ex-presidente da Petrobras.

Sobre Pedro Barusco, ex-gerente da estatal também condenado no âmbito da Lava Jato, as palavras foram as mesmas.

Em relação aos contratos da Petrobras e a OAS, Gabrielli disse que nunca foi discutido elevação de custos por causa de corrupção, para pagamentos inadequados, ilícitos. Segundo ele, a discussão “era voltada para tentar minimizar os impactos de um mercado de fornecedores aquecidos, com maior poder de barganha para os fornecedores, em comparação aos compradores”.

Sobre valores provenientes de contratos usados para a compra do tríplex supostamente para Lula, o ex-presidente da Petrobras afirmou que não tem nenhum conhecimento sobre o assunto.

Questionado pelo Ministério Público Federal (MPF), Gabrielli disse que há influência política na escolha de diretores desde 1953, ou seja, desde a fundação da empresa. Questionado também se fazia parte de algum partido, o ex-presidente da Petrobras disse que sim e que, inclusive, é “membro fundador do Partido dos Trabalhadores, desde 1981 e 1982”. Ele também afirmou que foi indicado para a direção financeira (antes da presidência) e para a presidência por Lula. Por fim, reforçou que nenhum dos órgãos de fiscalização identificou problemas revelados pela Lava Jato.

Jaques Wagner
O ex-ministro de relações institucionais do Governo Lula, Jaques Wagner (PT), também foi ouvido como testemunha de defesa do ex-presidente na manhã desta segunda, no mesmo processo. Durante o depoimento, Wagner detalhou sua atuação como ministro e afirmou desconhecer uso de dinheiro de origem espúria para manutenção da base parlamentar.
O ex-ministro também falou por videoconferência de Salvador. Wagner disse que era procurado por parlamentares – senadores e deputados federais – governadores e prefeitos que apresentavam demandas de suas bases eleitorais. Informou que o alinhamento com o governo é normal, pois facilita o atendimento de pedidos. “Ida e vinda de parlamentares [para a base aliada do partido que está no poder] é absolutamente natural”, declarou.
Questionado pelo MPF sobre sua relação com o ex-presidente Lula, Wagner relatou que estabelecia seu espaço e tinha autonomia para sua atuação. O ex-ministro disse que Lula participava de reuniões com a base aliada sempre que assuntos relevantes estavam em discussão.
Wagner afirmou ter feito parte do Conselho Administrativo da Petrobras, entre 2003 e 2006, mas disse que nunca participou diretamente da indicação de cargos na estatal.
Outras testemunhas
Na mesma audiência, foram ouvidas duas testemunhas de defesa
do ex-presidente da OAS Investimentos Fabio Yonamine, réu nesta ação penal por lavagem de dinheiro. A audiência também foi realizada por videoconferência de Salvador.
O primeiro a ser ouvido foi o administrador de empresas Daniel Cardoso Gonzalez. Ao ser questionado pela defesa de Fabio Yonamine se ouviu que um tríplex e a reforma dele seriam destinados ao Lula, como troca de favores, Gonzalez disse que não. “Nunca presenciei nada do tipo”, afirmou a testemunha, que trabalhou na OAS Empreendimentos. A empresa tinha estruturas administrativa e financeira apartadas da empreiteira OAS, conforme explicou.
A testemunha também disse que a entrega do imóvel foi feita depois da saída dele da empresa. Ele trabalhou cinco anos da OAS Empreendimentos, de 2007 a 2012, atuando na área financeira, de acordo com o que relatou durante a audiência.
A outra testemunha de defesa de Yonamine foi o advogado Adriano Cláudio Pires Ribeiro, que trabalhou na área jurídica da OAS Empreendimentos de março de 2007 até dezembro de 2013.
Adriano Cláudio Pires Ribeiro também negou saber que um tríplex do Edifício Solaris seria entregue a Lula por troca de favores ou vantagens indevidas obtidas pela OAS.  Sobre a reforma do tríplex, ele disse ter tido conhecimento somente por meio da imprensa, depois de já ter saído da empresa.

Ribeiro também explicou a Moro que, quando o proprietário de cotas da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) optava por aderir ao acordo para que a OAS assumisse a obra de determinado empreendimento, um contrato de compromisso de compra e venda era assinado. De acordo com a testemunha, o documento padrão constava o valor e a unidade destinada ao comprador.
Depoimentos da tarde
Nesta tarde, uma audiência ocorreu por videoconferência com Barueri (SP). A engenheira civil Aline Mascarenhas de Sousa foi ouvida como testemunha de defesa do arquiteto e ex-executivo da OAS Paulo Gordilho, que responde neste processo por lavagem de dinheiro.
Aline Mascarenhas de Sousa relatou que trabalhou na OAS Empreendimentos de julho de 2009 a junho de 2015, nos setores de controle de obras e de orçamentos.
Ela disse não ter trabalhado com orçamentos relacionados ao Condomínio Solaris. “Eu primeiramente trabalhava na parte de controle de obras, então quando eu fui para o setor de orçamentos, esse orçamento já existia”, afirmou ao MPF.
O coordenador de planejamento da OAS Empreendimentos Genésio da Silva Paraíso foi ouvido como testemunha de defesa de Roberto Ferreira, ex-diretor da empresa acusado pelo crime de lavagem de dinheiro na ação. A testemunha relatou que foi responsável pela elaboração do contrato e acompanhamento das reformas de um apartamento no Edifício Solaris para tornar o imóvel mais atrativo para um potencial comprador que, segundo ele, seria o ex-presidente Lula.
Genésio relatou que em relação ao apartamento do Solaris, recebia ordens de seu superior imediato, que era o gerente Igor Pontes, e que nunca recebeu nenhum tipo de orientação direta ou indiretamente de Lula e da mulher dele, Marisa Letícia.
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2017/02/perguntas-de-um-inquisidor-diz-defesa-de-lula-para-juiz-sergio-moro.html

EDUARDO CUNHA: na prisão tenta comandar ainda a sua rede de influência.

Moro parte para o ataque e dá nó no Supremo

A decisão de manter Eduardo Cunha preso deve ter consequências significativas para o futuro do governo Temer, da Câmara e da própria Lava Jato

O Juiz federal Sérgio Moro (Foto: Paulo Lopes/Futura Press/Folhapress)O juiz federal Sergio Moro (Foto: Paulo Lopes/Futura Press/Folhapress)

O juiz Sergio Moro acaba de emparedar, silenciosamente, aqueles em Brasília que fazem de tudo para soltar Eduardo Cunha. Moro não negou somente o habeas corpus impetrado pelos advogados de Cunha. Juridicamente, essa decisão era esperada. O juiz foi além. Aproveitou a decisão, a mais relevante que tomou nos últimos meses, para fazer a defesa mais enfática, desde o começo da Lava Jato, sobre a necessidade das prisões preventivas. E defendeu o uso das prisões preventivas invocando, especialmente, as decisões de Teori Zavascki que mantiveram Cunha na cadeia.

O nó estratégico de Moro atinge diretamente os ministros do Supremo, que deverão julgar na próxima semana se soltam ou não Cunha. O nó: para revogar a prisão de Cunha, os ministros agora terão de, além de mudar o entendimento do Tribunal para o assunto, ir contra decisões de Teori exatamente contra o peemedebista. Nesse cenário, votarão, perante a opinião pública, contra um ministro cuja morte comoveu o país e em favor de um político odiado por boa parte dela.

Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato (Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press / Agência O Globo)

Os argumentos de Moro:

• No caso de Cunha: nada mudou, e os fatos que embasaram a preventiva (garantir a ordem

pública, sobretudo) não só permanecem como foram reforçados pela atuação belicosa do ex-

O ex-presidente da Câmara e deputado cassado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na operação Lava Jato (Foto:   Paulo Lisboa/Brazil Photo Press / Agência O Globo)

deputado no processo. Moro relembra que a segunda instância manteve a prisão de Cunha, no que foi seguida pelo ministro Félix Fischer, do STJ, e, no STF, por Teori – duas vezes. A frase que enquadrou o STF: “O eminente ministro Teori Zavascki teve não uma, mas duas oportunidades para cassar a prisão preventiva decretada por este juízo, e não o fez”. Moro disse ainda que “não trairá o legado” de Teori. Donde, quem revogar a prisão fará exatamente isto: trair o legado de Teori.

• Nos demais casos rumorosos da Lava Jato, como o de Paulo Roberto Costa e o de Marcelo Odebrecht: foram as preventivas que encerraram as “carreiras criminais” dos investigados – sempre sob a égide de garantir a ordem pública, entre outros fundamentos. Ou seja, sem preventivas, não haveria Lava Jato.

O trecho mais importante do despacho: “Em todos esses casos, o desmantelamento da atividade criminal e a interrupção do ciclo delitivo, protegendo outros indívidos, a sociedade brasileira e os cofres públicos de novos crimes, só foi possível com a prisão preventiva e que teve suporte de todas as instâncias do Poder Judiciário brasileiro. Assim não fosse, é provável que ainda estaria Paulo Roberto Costa recebendo propina e na posse de seus ativos no exterior, quiçá deslocados para outro país, Alberto Youssef ainda estaria lavando dinheiro de propina em contratos públicos e a entregando a agentes políticos, e o Clube das Empreiteiras e o Departamento da Propina ainda estariam em plena atividade” .

Os números que interessam:

• Há  sete presos provisórios sem julgamento na Lava Jato.
• Foram 79 prisões preventivas nos três anos de Operação. Um número baixo, em comparação com o trabalho cotidiano das varas criminais. E infinitamente distante das cerca de 800 prisões da Operação Mãos Limpas, na Itália.

O que está por trás das críticas às prisões preventivas, segundo Moro, é o “lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei”. Moro: “A questão real – e é necessário ser franco sobre isso – não é a quantidade, mas a qualidade das prisões, mas propriamente a qualidade dos presos provisórios. O problema não são as setenta e nove prisões ou os atualmente sete presos sem julgamento, mas sim que se tratam de presos ilustres, por exemplo, um dirigente de empreiteira, um ex-ministro da Fazenda, um ex-governador de estado, e, no presente caso, um ex-presidente da Câmara dos Deputados”. O juiz leva o raciocínio à etapa seguinte. “As críticas às prisões preventivas refletem, no fundo, o lamentável entendimento de que há pessoas acima da lei e que ainda vivemos em uma sociedade de castas, distante de nós a igualdade republicana”, disse.

A reação de Moro ao que percebeu serem ameaças de Cunha: além de manter a prisão do ex-deputado, comprometeu-se a redobrar o empenho. Foi explícito e claro. “Revogar a preventiva de Eduardo Cosentino da Cunha poderia ser interpretada erroneamente como representando a capitulação deste Juízo a alguma espécie de pressão política a qual teria sofrido em decorrência do referido episódio”. Quem tentou falar grosso com Moro até agora, como Marcelo Odebrecht e Lula, deu-se mal. Cunha, ao que tudo indica, apostou na estratégia errada.

O jeito Moro de dar um xeque até no presidente Michel Temer: o juiz relembrou o caso das perguntas que Cunha queria fazer a Temer durante o processo –  e que haviam sido vetadas por Moro. Eram, e qualquer um via isso, um recado ameaçador de Cunha ao presidente. O próprio juiz observou agora que “tais quesitos (perguntas), absolutamente estranhos ao objeto da ação penal, tinham por motivo óbvio constranger o Exmo. Sr. Presidente da República e provavelmente buscavam com isso provocar alguma espécie intervenção indevida da parte dele em favor do preso”. O subtexto é claro: Moro usou as armas de Cunha contra Temer para alertar o presidente de que Curitiba está atenta à possível articulação, em Brasília, para livrar o ex-deputado. O juiz escreveu textualmente que Cunha tentou intimidar o presidente da República. Citar esse episódio pode parecer uma defesa do presidente. É, na verdade, uma defesa da Lava Jato.

O que está em jogo:

• A estabilidade do governo Temer. Quanto mais tempo Cunha ficar preso, maior a chance de insistir numa delação premiada. Uma delação dele, combinada à do operador Lúcio Funaro, parceiro de Cunha, teria potencial para fulminar o primeiro escalão do governo.
• A estabilidade da Câmara. A delação de Cunha, a depender da extensão, também atingiria deputados influentes.
• A estabilidade da Lava Jato. Se o Supremo ignorar o nó de Moro e reverter o entendimento sobre as prisões preventivas, estejam os ministros certos ou errados, a operação será manietada.

A contagem regressiva: Moro sentenciará Cunha até o fim de março. Caso o ex-deputado não seja solto pelo STF e acabe condenado em Curitiba, não restará a ele outra opção. É delação – ou cadeia por muitos, muitos anos, talvez para a família dele também. leia tudo: http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/02/moro-parte-para-o-ataque-e-da-no-no-supremo.html

 

 

 

 

LENDO ESSA MATÉRIA VOCÊ VAI ENTENDER O ALTO GRAU DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, MINUCIOSAMENTE PREPARADA PARA DESVIAR RECURSOS DA PETROBRAS. ESTÁ TUDO AQUI. A MATÉRIA É MUITO CONCLUSIVA, NÃO PRECISA DE GENIALIDADE PARA INTERPRETAR QUEM FOI O MENTOR DESSA COMPLEXA ARMAÇÃO.

Documentos dos EUA detalham como Odebrecht atuou para pagar propina – Empresa fechou acordo de leniência com EUA, Suíça e Brasil; construtora admitiu, segundo departamento americano, R$ 788 milhões em propina em 12 países. Por Jornal Nacional


Acordo de leniência revela que Odebrecht tentou apagar provas

Os documentos do acordo de leniência assinado pela Odebrecht e pela Braskem com autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça revelam novos detalhes do esquema de corrupção que durou mais de uma década, e movimentou bilhões de reais.

As duas empresas concordaram em pagar multas de quase R$ 7 bilhões e revelar fatos ilícitos praticados nos três países.

Os documentos mostram que a Odebrecht fraudou licitações e também montou um esquema sofisticado para pagar propinas a políticos e executivos. E quando tudo começou a ser descoberto, tentou apagar provas.

O processo na Justiça americana contra a Odebrecht se concentra nos contratos da empresa com a Petrobras e em obras no Brasil e mais onze países da África, da América Latina e do Caribe.

A Odebrecht teria subornado executivos da Petrobras e autoridades dos poderes Executivo e Legislativo – além de autoridades no exterior (leia a versão de todos os citados ao final desta reportagem).

Todos os exemplos citados pelo Departamento de Justiça são a partir de 2006 – durante o governo do ex-presidente Lula – quando a Odebrecht criou um setor dedicado exclusivamente ao pagamento de propinas.

O documento detalha como a Odebrecht desviava dinheiro para pagar propinas a políticos e executivos sem levantar a suspeita da Justiça do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça – os três países por onde o dinheiro passava.

As transações aconteceram entre 2001 – durante o governo Fernando Henrique – e 2016 – durante o governo da presidente Dilma. Um esquema complexo que usava bancos em paraísos fiscais.

Nesse período, a empresa pagou mais de R$ 2,5 bilhões em propinas. Em troca, conseguiu uma centena de contratos que geraram lucros de mais de R$ 10 bilhões.

O “setor de propina” funcionava dentro da construtora Norberto Odebrecht – a CNO – uma subsidiária da Odebrecht.

Os executivos faziam uma série de manobras contábeis dentro das empresas do grupo para o dinheiro desaparecer do balanço oficial e parar no “setor de propinas”.

Parte do dinheiro era depositada em contas da Odebrecht em Nova York.

SAIBA MAIS

A Odebrecht enviava esses rescursos para três empresas de fachada em paraísos fiscais para pagar pelas vantagens indevidas.

A Smith and Mash e a Golac funcionam nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. A Arcadex tem sede em Belize, na América Central.

As três eram usadas para pagamento de propinas, elaboração de contratos ilícitos e para esconder as transações ilegais.

A Odebrecht também tinha funcionários que coordenavam essas operações em Miami.

As contas offshores Golac, Smith and Ash e Arcadex são velhas conhecidas dos investigadores do Paraná. Elas apareceram pela primeira vez na 14ª fase da operação Lava Jato, em junho do ano passado, que levou para a prisão o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht.

Os procuradores da Lava Jato afirmam que as contas offshore Smith and Nash, Arcadex, Havinsur Golac e Sherkson eram usadas pela Odebrech para fazer pagamentos a pessoas investigadas na Lava Jato.

Segundo as investigações, os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco receberam no exterior dinheiro de propina que passou pela Smith and Nash e pela Golac.

Renato Duque também recebeu pela Arcadex, assim como o ex-diretor Jorge Zelada.

Os pagamentos rastreados pela Lava Jato a esses ex-executivos da Petrobras somam US$ 13,8 milhões, 628 mil euros e quase dois milhões de francos suíços.

Entre 2006 e 2015, durante os governos Lula e Dilma, um executivo da Odebrecht chegou a acompanhar pessoalmente funcionários de alto escalão da Petrobras e autoridades para que abrissem contas nos bancos que já eram usados pela empresa – para facilitar a transferência de dinheiro ilícito.

Ele também era encarregado de subornar executivos dos bancos para evitar que as transações chamassem a atenção.

As operações do “departamento de propinas” eram coordenadas de perto pelo executivo da Odebrecht identificado pelo número “2” no processo.

Outra forma de pagamento era através de doleiros – malas cheias de dinheiro eram entregues aos envolvidos no Brasil e no exterior.

O “setor de propinas” da Odebrecht, segundo o Ministério Público Federal, tinha dois sistemas de informática para gerenciar os pagamentos.

Um deles era acessado exclusivamente pelos funcionários do “setor de propinas” e ficava em um computador separado. Por meio desse sistema, hospedado em um servidor na Suíça, eles acertavam os detalhes dos pagamentos com os operadores financeiros, encarregados de disponibilizar, no Brasil, valores em espécie mantidos pela Odebrecht em contas não declaradas no exterior.

O outro sistema era utilizado para controlar os dados referentes ao pagamento da propina. As informações eram organizadas em planilhas.

As tabelas tinham valores, o nome do beneficiário, identificado por um apelido, o responsável pela negociação e a senha usada para a entrega.

De acordo com as investigações, o “setor de propina” e os sistemas de informática foram encerrados em 2015, quando a operação Lava Jato prendeu executivos da Odebrecht.

Em depoimento à Polícia Federal, a secretária do “setor de propinas”, Maria Lúcia Guimarães Tavares, disse que “o pessoal da informática da Odebrecht foi até seu setor e retirou todas as estações de trabalho do local.” “E que foi ela quem providenciou a entrega do sistema, que consistia em um pequeno aparelho com monitor. A entrega foi feita em um endereço em São Paulo.”

Em depoimento à Justiça Federal, no papel de testemunha, o técnico de informática que providenciava as senhas para os funcionários da empresa, disse que o sistema ficou em operação até meados de 2014. Depois, foi criado um segundo portal de acesso, também hospedado na Suíça, que funcionou até o começo de 2016 – quando teria sido bloqueado por autoridades suíças.

As investigações descrevem também como a Odebrecht e outras empreiteiras fraudavam licitações para obras da Petrobras.

As empreiteiras combinavam quem daria a melhor oferta – e comunicavam às autoridades quem seria o vencedor. Era uma espécie de rodízio.

A Odebrecht chegou a pagar R$ 130 milhões em propinas para vencer a licitação de uma única obra em 2010. Nessa época, diversos contratos foram obtidos por meio de suborno.

Entre 2010 e 2014, a Odebrecht pagou R$ 65 milhões a uma autoridade estadual para garantir um projeto na área de transportes.

Em 2011, uma autoridade do Legislativo pediu quase R$ 32 milhões para permitir a participação da empresa em um projeto de construção no Rio de Janeiro. O pagamento foi feito entre 2011 e 2014.

A partir de 2014, a Operação Lava Jato começou a fechar o cerco em torno da Odebrecht. Os executivos da empresa receberam ordens para apagar os rastros do “departamento de propinas”. Destruíram milhares de documentos, apagaram senhas que dariam acesso a detalhes dos pagamentos e pediram ajuda até de autoridades estrangeiras para convencer outros envolvidos no esquema a fazer o mesmo. Tudo para obstruir as investigações.

Em 2015, um executivo da Odebrecht se reuniu em Miami com um diplomata de Antígua, no Caribe – onde a empresa tinha um banco. Esse executivo solicitou acesso a uma alta autoridade do país. O objetivo era impedir que Antígua fornecesse a investigadores provas das transações ilícitas da Odebrecht. Em troca do favor, o executivo ofereceu R$ 13 milhões, em quatro parcelas. As três primeiras chegaram a ser pagas.

Uma caso de suborno ao primeiro-ministro de Antígua foi relatado em depoimento de Luiz Augusto França, um dos delatores da Lava Jato. Augusto França é um dos acionistas do Meinl Bank Antigua, que teria sido usado pela Odebrecht para pagar propina.

O executivo seria Luiz Eduardo Soares, que fazia parte do suposto “departamento de propina” da Odebrecht.

O delator disse que Luiz Eduardo pediu ajuda a ele para entrar em contato com as autoridades de Antígua para que tratasse das investigações Lava Jato no Brasil tendo em vista o volume de transações financeiras havidas em AntÍgua.

Segundo o delator Augusto França, Luiz Eduardo e ele conseguiram uma reunião com o primeiro-ministro de Antigua em setembro de 2015.

Augusto França disse que na reunião a pretensão de Luiz Eduardo era que as autoridades de Antígua não colaborassem com as autoridades brasileiras, embora isto não tenha ido falado expressamente. E que foi constituída uma comissão pelas autoridades de AntÍgua, mas sem qualquer indicativo de que criariam obstáculos a qualquer colaboração.

Segundo o delator, as autoridades de Antígua já atenderam a pedidos de cooperação da Lava Jato.

Augusto França disse que outras reuniões entre o primeiro-ministro e o representante da Odebrecht aconteceram, mas que ele não participou delas.

Versões dos citados

A Odebrecht declarou que não se manifesta sobre o tema, mas reafirmou o compromisso de colaborar com a Justiça.

A defesa de Jorge Zelada disse que só vai se pronunciar depois de conhecer o teor da referência ao cliente na delação.

A defesa de Pedro Barusco afirmou que tais fatos já foram esclarecidos na colaboração premiada do cliente. E que Barusco continua à disposição das autoridades.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com as defesas de Luiz Eduardo Soares, Paulo Roberto Costa e Renato Duque.

América Latina

O acordo de leniência assinado pela Odebrecht com a justiça americana provocou a abertura de novas investigações na América Latina.

O documento revelou que a Odebrecht pagou propina em 11 países além do Brasil.

Na noite desta quinta (22), o Ministério Público do Equador fez uma operação na sede da Odebrecht, na cidade de Guayaquil e apreendeu documentos que podem estar ligados ao pagamento de subornos no valor de quase R$ 110 milhões para autoridades do governo equatoriano. O país pediu a ajuda do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça na investigação.

A procuradora-geral da Guatemala disse que também quer ajuda dos americanos e dos brasileiros para investigar os pagamentos de mais de R$ 58 milhões de reais a políticos do país.

O Panamá vai mandar uma equipe para os Estados Unidos para se reunir com representantes do Departamento de Justiça. A propina paga pela Odebrech a políticos panamenhos chega a R$ 192 milhões.

No méxico, o Ministério Público e a estatal Petróleos Mexicanos – a Pemex – também decidiram abrir uma investigação conjunta. De acordo com o Departamento de Justiça americano, a Odebrecht pagou mais de R$ 32 milhões para autoridades do governo mexicano em troca de contratos públicos.

TUDO AQUI: http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/documentos-dos-eua-detalham-como-odebrecht-atuou-para-pagar-propina.ghtml

    LENDO ESSA MATÉRIA VOCÊ VAI ENTENDER O ALTO GRAU DA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, MINUCIOSAMENTE PREPARADA PARA DESVIAR RECURSOS DA PETROBRAS. ESTÁ TUDO AQUI. A MATÉRTIA É MUITO CONCLUSIVA, NÃO PRECISA DE GENIALIDADE PARA INTERPRETAR QUEM FOI O MENTOR DESSA COMPLEXA ARMAÇÃO.

    Documentos dos EUA detalham como Odebrecht atuou para pagar propina – Empresa fechou acordo de leniência com EUA, Suíça e Brasil; construtora admitiu, segundo departamento americano, R$ 788 milhões em propina em 12 países. Por Jornal Nacional


    Acordo de leniência revela que Odebrecht tentou apagar provas

    Os documentos do acordo de leniência assinado pela Odebrecht e pela Braskem com autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça revelam novos detalhes do esquema de corrupção que durou mais de uma década, e movimentou bilhões de reais.

    As duas empresas concordaram em pagar multas de quase R$ 7 bilhões e revelar fatos ilícitos praticados nos três países.

    Os documentos mostram que a Odebrecht fraudou licitações e também montou um esquema sofisticado para pagar propinas a políticos e executivos. E quando tudo começou a ser descoberto, tentou apagar provas.

    O processo na Justiça americana contra a Odebrecht se concentra nos contratos da empresa com a Petrobras e em obras no Brasil e mais onze países da África, da América Latina e do Caribe.

    A Odebrecht teria subornado executivos da Petrobras e autoridades dos poderes Executivo e Legislativo – além de autoridades no exterior (leia a versão de todos os citados ao final desta reportagem).

    Todos os exemplos citados pelo Departamento de Justiça são a partir de 2006 – durante o governo do ex-presidente Lula – quando a Odebrecht criou um setor dedicado exclusivamente ao pagamento de propinas.

    O documento detalha como a Odebrecht desviava dinheiro para pagar propinas a políticos e executivos sem levantar a suspeita da Justiça do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça – os três países por onde o dinheiro passava.

    As transações aconteceram entre 2001 – durante o governo Fernando Henrique – e 2016 – durante o governo da presidente Dilma. Um esquema complexo que usava bancos em paraísos fiscais.

    Nesse período, a empresa pagou mais de R$ 2,5 bilhões em propinas. Em troca, conseguiu uma centena de contratos que geraram lucros de mais de R$ 10 bilhões.

    O “setor de propina” funcionava dentro da construtora Norberto Odebrecht – a CNO – uma subsidiária da Odebrecht.

    Os executivos faziam uma série de manobras contábeis dentro das empresas do grupo para o dinheiro desaparecer do balanço oficial e parar no “setor de propinas”.

    Parte do dinheiro era depositada em contas da Odebrecht em Nova York.

    SAIBA MAIS

    A Odebrecht enviava esses rescursos para três empresas de fachada em paraísos fiscais para pagar pelas vantagens indevidas.

    A Smith and Mash e a Golac funcionam nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. A Arcadex tem sede em Belize, na América Central.

    As três eram usadas para pagamento de propinas, elaboração de contratos ilícitos e para esconder as transações ilegais.

    A Odebrecht também tinha funcionários que coordenavam essas operações em Miami.

    As contas offshores Golac, Smith and Ash e Arcadex são velhas conhecidas dos investigadores do Paraná. Elas apareceram pela primeira vez na 14ª fase da operação Lava Jato, em junho do ano passado, que levou para a prisão o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht.

    Os procuradores da Lava Jato afirmam que as contas offshore Smith and Nash, Arcadex, Havinsur Golac e Sherkson eram usadas pela Odebrech para fazer pagamentos a pessoas investigadas na Lava Jato.

    Segundo as investigações, os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco receberam no exterior dinheiro de propina que passou pela Smith and Nash e pela Golac.

    Renato Duque também recebeu pela Arcadex, assim como o ex-diretor Jorge Zelada.

    Os pagamentos rastreados pela Lava Jato a esses ex-executivos da Petrobras somam US$ 13,8 milhões, 628 mil euros e quase dois milhões de francos suíços.

    Entre 2006 e 2015, durante os governos Lula e Dilma, um executivo da Odebrecht chegou a acompanhar pessoalmente funcionários de alto escalão da Petrobras e autoridades para que abrissem contas nos bancos que já eram usados pela empresa – para facilitar a transferência de dinheiro ilícito.

    Ele também era encarregado de subornar executivos dos bancos para evitar que as transações chamassem a atenção.

    As operações do “departamento de propinas” eram coordenadas de perto pelo executivo da Odebrecht identificado pelo número “2” no processo.

    Outra forma de pagamento era através de doleiros – malas cheias de dinheiro eram entregues aos envolvidos no Brasil e no exterior.

    O “setor de propinas” da Odebrecht, segundo o Ministério Público Federal, tinha dois sistemas de informática para gerenciar os pagamentos.

    Um deles era acessado exclusivamente pelos funcionários do “setor de propinas” e ficava em um computador separado. Por meio desse sistema, hospedado em um servidor na Suíça, eles acertavam os detalhes dos pagamentos com os operadores financeiros, encarregados de disponibilizar, no Brasil, valores em espécie mantidos pela Odebrecht em contas não declaradas no exterior.

    O outro sistema era utilizado para controlar os dados referentes ao pagamento da propina. As informações eram organizadas em planilhas.

    As tabelas tinham valores, o nome do beneficiário, identificado por um apelido, o responsável pela negociação e a senha usada para a entrega.

    De acordo com as investigações, o “setor de propina” e os sistemas de informática foram encerrados em 2015, quando a operação Lava Jato prendeu executivos da Odebrecht.

    Em depoimento à Polícia Federal, a secretária do “setor de propinas”, Maria Lúcia Guimarães Tavares, disse que “o pessoal da informática da Odebrecht foi até seu setor e retirou todas as estações de trabalho do local.” “E que foi ela quem providenciou a entrega do sistema, que consistia em um pequeno aparelho com monitor. A entrega foi feita em um endereço em São Paulo.”

    Em depoimento à Justiça Federal, no papel de testemunha, o técnico de informática que providenciava as senhas para os funcionários da empresa, disse que o sistema ficou em operação até meados de 2014. Depois, foi criado um segundo portal de acesso, também hospedado na Suíça, que funcionou até o começo de 2016 – quando teria sido bloqueado por autoridades suíças.

    As investigações descrevem também como a Odebrecht e outras empreiteiras fraudavam licitações para obras da Petrobras.

    As empreiteiras combinavam quem daria a melhor oferta – e comunicavam às autoridades quem seria o vencedor. Era uma espécie de rodízio.

    A Odebrecht chegou a pagar R$ 130 milhões em propinas para vencer a licitação de uma única obra em 2010. Nessa época, diversos contratos foram obtidos por meio de suborno.

    Entre 2010 e 2014, a Odebrecht pagou R$ 65 milhões a uma autoridade estadual para garantir um projeto na área de transportes.

    Em 2011, uma autoridade do Legislativo pediu quase R$ 32 milhões para permitir a participação da empresa em um projeto de construção no Rio de Janeiro. O pagamento foi feito entre 2011 e 2014.

    A partir de 2014, a Operação Lava Jato começou a fechar o cerco em torno da Odebrecht. Os executivos da empresa receberam ordens para apagar os rastros do “departamento de propinas”. Destruíram milhares de documentos, apagaram senhas que dariam acesso a detalhes dos pagamentos e pediram ajuda até de autoridades estrangeiras para convencer outros envolvidos no esquema a fazer o mesmo. Tudo para obstruir as investigações.

    Em 2015, um executivo da Odebrecht se reuniu em Miami com um diplomata de Antígua, no Caribe – onde a empresa tinha um banco. Esse executivo solicitou acesso a uma alta autoridade do país. O objetivo era impedir que Antígua fornecesse a investigadores provas das transações ilícitas da Odebrecht. Em troca do favor, o executivo ofereceu R$ 13 milhões, em quatro parcelas. As três primeiras chegaram a ser pagas.

    Uma caso de suborno ao primeiro-ministro de Antígua foi relatado em depoimento de Luiz Augusto França, um dos delatores da Lava Jato. Augusto França é um dos acionistas do Meinl Bank Antigua, que teria sido usado pela Odebrecht para pagar propina.

    O executivo seria Luiz Eduardo Soares, que fazia parte do suposto “departamento de propina” da Odebrecht.

    O delator disse que Luiz Eduardo pediu ajuda a ele para entrar em contato com as autoridades de Antígua para que tratasse das investigações Lava Jato no Brasil tendo em vista o volume de transações financeiras havidas em AntÍgua.

    Segundo o delator Augusto França, Luiz Eduardo e ele conseguiram uma reunião com o primeiro-ministro de Antigua em setembro de 2015.

    Augusto França disse que na reunião a pretensão de Luiz Eduardo era que as autoridades de Antígua não colaborassem com as autoridades brasileiras, embora isto não tenha ido falado expressamente. E que foi constituída uma comissão pelas autoridades de AntÍgua, mas sem qualquer indicativo de que criariam obstáculos a qualquer colaboração.

    Segundo o delator, as autoridades de Antígua já atenderam a pedidos de cooperação da Lava Jato.

    Augusto França disse que outras reuniões entre o primeiro-ministro e o representante da Odebrecht aconteceram, mas que ele não participou delas.

    Versões dos citados

    A Odebrecht declarou que não se manifesta sobre o tema, mas reafirmou o compromisso de colaborar com a Justiça.

    A defesa de Jorge Zelada disse que só vai se pronunciar depois de conhecer o teor da referência ao cliente na delação.

    A defesa de Pedro Barusco afirmou que tais fatos já foram esclarecidos na colaboração premiada do cliente. E que Barusco continua à disposição das autoridades.

    O Jornal Nacional não conseguiu contato com as defesas de Luiz Eduardo Soares, Paulo Roberto Costa e Renato Duque.

    América Latina

    O acordo de leniência assinado pela Odebrecht com a justiça americana provocou a abertura de novas investigações na América Latina.

    O documento revelou que a Odebrecht pagou propina em 11 países além do Brasil.

    Na noite desta quinta (22), o Ministério Público do Equador fez uma operação na sede da Odebrecht, na cidade de Guayaquil e apreendeu documentos que podem estar ligados ao pagamento de subornos no valor de quase R$ 110 milhões para autoridades do governo equatoriano. O país pediu a ajuda do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça na investigação.

    A procuradora-geral da Guatemala disse que também quer ajuda dos americanos e dos brasileiros para investigar os pagamentos de mais de R$ 58 milhões de reais a políticos do país.

    O Panamá vai mandar uma equipe para os Estados Unidos para se reunir com representantes do Departamento de Justiça. A propina paga pela Odebrech a políticos panamenhos chega a R$ 192 milhões.

    No méxico, o Ministério Público e a estatal Petróleos Mexicanos – a Pemex – também decidiram abrir uma investigação conjunta. De acordo com o Departamento de Justiça americano, a Odebrecht pagou mais de R$ 32 milhões para autoridades do governo mexicano em troca de contratos públicos.

    TUDO AQUI: http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/documentos-dos-eua-detalham-como-odebrecht-atuou-para-pagar-propina.ghtml